O Jeca, entre Lobato e Lima Barreto

Monteiro Lobato estreou com artigos na imprensa, logo reunidos em um livro, o Urupês, que foi best seller, vendido até em lojas de ferragens, num começo de século em que não havia livrarias de aeroporto. Um dos motivos do sucesso foi o artigo sobre o Jeca Tatu, o caboclo do interior, cujas moleza e inaptidão, a princípio, foram atribuídas por Lobato ao que considerava ser a preguiça atávica dos “mestiços”.
Deu treta, política, da grande; e até Rui Barbosa discursou na tribuna acusando o Jeca de Lobato de ser uma triste caricatura, reveladora da visão degenerada das elites sobre o povo brasileiro . Estava certo, o baiano.
Lobato, dotado de legítima e cartesiana curiosidade intelectual, acabou percebendo que tinha dito bobagem; e, em edições seguintes do Urupês, incluiu um pedido de desculpas ao Jeca Tatu, por não ter notado que sua aparente apatia se dava pelas péssimas condições de saúde dos habitantes do interior, vítimas de doenças várias, espalhadas sob a complacência de autoridades negligentes. 106474365_2640166269538662_7838537528088231707_o
O discurso do Rui teve efeito parecido ao que, hoje, têm posts indignados contra idiotices veiculadas nas redes sociais contra. Segundo contou o próprio Lobato a um amigo, a crítica da Hagia de Haia ao Jeca “foi o pé de vento que deu nos Urupês”: esgotou os sete mil exemplares das primeiras três edições e o fez imprimir mais quatro mil para lançar a quarta edição. A que tenho cá em casa faz parte do primeiro milheiro dessa quarta tiragem, e é dela que compartilho aqui o pré-prefácio, com o pedido de perdão lobatiano ao Jeca.


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Pois aí vem o Lima Barreto, que tirei da estante ontem, para ler à noite, numa simpática ediçãozinha da editora Ática, aparentemente distribuída de brinde pela Folha;  e o escritor maldito passa uma nova bronca, muito elegante no Lobato, já falando do livro seguinte do autor, a coletânea “Problema Vital”, em que o paulista tenta limpar a barra do Jeca, na linha do pedido de desculpas do Urupês: as condições de saúde explicam parte da coisa, concorda Lima Barreto; mas as causas dela também estão em certas características estruturais do país que demandariam, mais que emplastros, uma reforma agrária.
Não sabia desse texto; compartilho com os amigos.

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Curiosamente, em outro livro que tenho, sobre a correspondência entre esses dois escritores, descubro que exatos quatro meses depois desse artigo que reproduzo aqui, Lima Barreto recebeu uma carta calorosa e lisonjeira de Lobato, que lhe implorava um artigo para publicar na Revista do Brasil – editada pelo autor de Urupês que, a essa altura, tinha vendido suas fazendas e se instalado em São Paulo.lima4

Pouco depois, Lima mandava para publicação “A Vida e a Morte de M.J. Gonzaga de Sá”. Lançado pela editora criada por Lobato, rendeu a Lima um adiantamento de 800$000 [oitocentos mil réis?] e fracassou miseravelmente nas vendas).

Em favor do Lobato, que, à parte a adesão condenável a teses eugenistas da moda, na época, foi um defensor de causas progressistas na República Velha, vale lembrar que o convite a Lima Barreto não era algo excepcional: um dos critérios de publicação da Revista do Brasil editada por ele era o anti-academicismo, e ele fazia questão de publicar os escritores jovens e marginalizados pela Academia…

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Certezas em revista

Saiu a nova edição da revista Gueto, e abro a seção de contos:

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Acho que acabava de abrir uma garrafa de cerveja quando vi o primeiro crocodilo, ou assim me pareceu; como se um pedaço da carapaça pardacenta do bicho deslizasse acima da linha d’água por segundos, para submergir rapidamente em seguida. Não tive tempo de avisar Marina, distraída na popa da pequena lancha de motor discreto, nem Marcelo. Ele, apoiado no banco de madeira do barco — ou ligeiramente inclinado em minha direção, sorrindo, as duas imagens se confundem na memória — tagarelava, falando mal das nossas origens.

Creio que não cheguei a comentar sobre o bicho. Marcelo ou Marina, naturalmente, duvidariam da aparição de um réptil, tranquilo, a passeio em um canal europeu. Não me lembro se tiveram essa reação. Seria previsível, bem provável, mas, se aconteceu, não mudou a falta de rumo da conversa, frouxa, distraída.

É possível eu não ter mencionado o animal, e notado, apenas, as poucas garrafas plásticas de água mineral e latas de cerveja boiando, por perto. Deve ter sido, aliás, um comentário sobre canais e sujeira que levou Marcelo a falar das tantas vantagens de viver sob costumes da Holanda.

“Imagina se os holandeses, e não os portugueses, tivessem colonizado o Brasil”.

“O país seria um imenso Suriname”. Marcelo riu; e levei um tapa no braço.

O resto do texto – e da revista, AQUI.

 

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A diplomacia da arminha, do tiro no pé

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Impassível, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, postou-se ao lado do Presidente da República no pronunciamento que se seguiu à queda do ministro Sérgio Moro, um dos aliados que deram corpo à vitória eleitoral de Jair Bolsonaro. Os desencontros sobre os rumos da economia também ameaçam a imagem ― e a permanência ― de outro avalista eleitoral, Paulo Guedes, da Economia; mas Araújo continua com carta branca para destroçar as tradições diplomáticas brasileiras. E não só isso.

Alguns especialistas chegam a duvidar que o Governo Bolsonaro tenha uma política externa clara. Mas Araújo tem: seu objetivo, manifestado publicamente, é destruir condições que permitiram ao Brasil ter uma diplomacia para chamar de sua, na defesa do interesse nacional. Araújo protagoniza uma suicida diplomacia da “arminha”, de gangue, quase inteiramente voltada a agradar um público interno radicalizado que se deleita em imitar o gesto belicista de Jair Bolsonaro.

Como guia, essa política defende uma aliança acrítica com o líder do mundo cristão ocidental, os Estados Unidos, e, contraditoriamente, com governos nacionalistas radicais pelo mundo. É a política externa do tiro no pé: ela procura minimizar, obstruir ou simplesmente eliminar canais que permitem a um país como o Brasil exercer influência própria sobre a região sul-americana e no mundo.

Além de acordos de livre-comércio, que o ministério da Economia hoje comanda, deixando o Itamaraty em segundo plano, a única concessão à ação multilateral do Brasil já feita por Bolsonaro foi o elogio à atuação das forças armadas brasileiras nas missões de paz na ONU, das quais participaram alguns dos generais de seu Governo.

Em seu último ato histriônico, um artigo no qual acusou o esforço contra o novo coronavírus de abrir espaço a um suposto “comunavírus”, Araújo, a pretexto de analisar um artigo do filósofo Slavoj Zizek, argumentou que submeter políticas nacionais às orientações da OMS seria “apenas o primeiro passo na construção da solidariedade comunista planetária”. Na visão do chanceler brasileiro, “globalismo é o novo caminho do comunismo”, e a batalha mundial contra a covid-19 seria uma oportunidade “para acelerar o “projeto globalista” contra o qual ele dirige os esforços da diplomacia nacional.

No artigo, que provocou espanto nos meios diplomáticos, Araújo descreve como agiria esse “projeto globalista” incompatível com a política externa do Brasil: “por meio do climatismo ou alarmismo climático, da ideologia de gênero, do racialismo ou reorganização da sociedade pelo princípio de raça [referencia às políticas de ação afirmativa, como cotas para negros], do antinacionalismo, do cientificismo (sic)”.

(Meu artigo no El País Brasil. O texto completo, AQUI)

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Patuscada que resiste à pandemia

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Contei essa história, no site da Piauí:

“Tem uma vantagem de ter um bar que vai falir na quarentena: a gente pode beber todo o estoque de cerveja”, desabafou o editor Eduardo Lacerda, da Patuá, aos amigos numa rede social. Publicou a foto dele e da mulher, Pricila Gunutzmann, uma garrafa e uma tulipa da bebida com generoso colarinho de espuma. Lacerda calcula que, desde o começo da quarentena até meados de abril, ambos já beberam cerca de 150 latas estocadas – e um número não contabilizado de garrafas, compradas nas redondezas como alternativa às latinhas que serviria em noites de autógrafo canceladas em tempos de pandemia.

A Covid-19 os obrigou a fechar o bar e livraria Patuscada, palco dos eventos da editora, a poucos metros de casa. Era ali o local de lançamento das obras da Patuá, umas das pequenas e aguerridas editoras nacionais também afetadas pela crise na indústria literária, agravada com o vírus.

Nos últimos anos, a recessão econômica já havia derrubado as vendas das grandes editoras, fechado livrarias tradicionais como a La Selva e levado à recuperação judicial as megalivrarias Cultura e Saraiva. Quando chegou a quarentena, executivos dessas grandes livrarias estavam começando a falar de recuperação em 2020, após medidas de ajuste e negociações com os credores, conta o presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), Marcos Pereira. “O ano de 2019 foi surpreendentemente bom, as vendas das editoras devem ter crescido cerca de 8%”, estima Pereira, ainda à espera do levantamento preciso sobre o mercado, que o SNEL deve divulgar em maio.

 

O resto, AQUI.

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Cildo Meireles

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Há nove anos, eu saía para jantar com Cildo Meireles, na série de entrevistas com artistas contemporâneos que fiz para o Valor. Lembrei disso hoje, dia em que ele completa 72 anos, viva ele. Já tinha entrevistado o artista sobre uma bela exposição de gravuras dele, na Chácara do Céu, e era fã, literalmente desde criancinha. Em 2018, como curador da Bienal do Livro e da Leitura, em Brasília, aproveitei a oportunidade do lançamento de um livro sobre a obra dele, da UBU Editora, organizado pelo Diego Matos e o Guilherme Wisnik, para convidá-lo a uma palestra mediada pelo mestre Ralph Gehre.

A entrevista-jantar com o Cildo, da qual contei uma pequena parte (a conversa inteira sairá um dia, em livro, quem sabe) foi mais uma matéria com ele que me deu gosto fazer:

“Personagem de um filme recente que leva seu nome, homenageado com uma exposição individual na Tate Modern, em Londres, autor de uma das peças mais marcantes da Bienal de São Paulo, “Abajur”, Cildo Meireles é um dos artistas brasileiros de maior prestígio nas artes plásticas internacionais. Passeia quase anônimo no Rio e gosta disso. No filme “Cildo”, dirigido por Gustavo Rosa de Moura, após ser reconhecido e cumprimentado calorosamente por um casal inglês recém­saído da exposição na Tate, diz, meio divertido, meio irônico: “Eu me sinto como Eric Clapton aos 20 anos”.

É o carioca discreto, não a estrela do rock, quem chega, de camisa de malha, sorridente, ao restaurante Giuseppe Grill. Ignora o assento abaixo de uma gigantesca tela de Rubens Gerchman e senta­se à frente de outra das 36 pinturas inspiradas na figura do touro da coleção do restaurante ­ uma composição nada realista da pouco conhecida Judith Muller. O artista vem do ateliê, em Botafogo, e tem fome, como revelaria depois de minutos de conversa e algumas beliscadas no couvert.

Cildo é apresentado pelos especialistas como “figura­-chave” da arte conceitual, aquela que intriga os leigos e dispensa pincel ou buril em favor de provocações e novos processos de criação. Começou, ainda adolescente, desenhista; fez e ainda faz gravuras esporadicamente.

Ganhou reconhecimento por sua “invariável capacidade de inventar novas formas”, de “harmonizar” um compromisso político com as necessidades poéticas da arte, pelo uso crítico da “essência própria da arte ocidental”. Essas foram as justificativas dos jurados que, em 2008, o escolheram para o Prêmio Velázquez, honraria do governo espanhol.

Mais concretamente, os jurados falavam de trabalhos como “Inserções em Circuitos Ideológicos”, em que gravou nos anos 1970, em pleno regime militar, mensagens políticas em garrafas retornáveis de Coca­Cola. Ou do “Desvio para o Vermelho”, instalação de três ambientes com centenas de objetos todos nessa cor que termina em uma sala escura, onde uma torneira, em uma pia fora do prumo, impressiona olhos e ouvidos dos passantes com um fluxo ininterrupto de um líquido também cor de sangue.

A conversa com o Valor começa sobre uma dessas obras, “Babel”, torre cilíndrica de 5 metros de altura, formada por quase mil aparelhos de rádio ligados em estações diferentes, cuja montagem, para uma exposição no Museu da Vale do Rio Doce, é mostrada em uma parte do filme dedicado ao artista. Pode­se ver, na tela, uma cena no ateliê de Cildo, mais assemelhado a uma oficina de eletrônica, onde um auxiliar mexe em um dos rádios que formam a peça. “É o seu Luiz, uma raridade, o pessoal na ativa hoje já começou a trabalhar com transistores, não sabe nada de rádios com válvula.”””

O resto do papo, AQUI.

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Certezas

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“Acho que acabava de abrir uma garrafa de cerveja quando vi o primeiro crocodilo, ou assim me pareceu; como se um pedaço da carapaça pardacenta do bicho deslizasse acima da linha d’água por segundos, para submergir rapidamente em seguida. Não tive tempo de avisar Marina, distraída na popa da pequena lancha de motor discreto, nem Marcelo. Ele, apoiado no banco de madeira do barco — ou ligeiramente inclinado em minha direção, sorrindo, as duas imagens se confundem na memória — tagarelava, falando mal das nossas origens.”

Conto meu, publicado hoje naRevista Gueto.

O resto, AQUI.

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Waly Salomão, feminista existencial

“Matriz baiana do tropicalismo”, segundo Glauber Rocha, Waly Salomão nasceu 130 anos depois destaque-waly-salomaodo filósofo Soren Kierkegard. Mas o encontrou na segunda metade do século XX e, por ele, explorou uma visão feminista na música contemporânea que, até hoje, espera reconhecimento.

Soren é o equivalente a Severino em dinamarquês, mas é com o pseudônimo latino de “Johanes de Silentio (João do Silêncio, nome emprestado de uma velha fábula), que o filósofo assina a obra que encantou e teve uma influência insuspeita sobre o baiano que foi ex-hóspede de Caetano Veloso, letrista de Maria Bethânia, produtor de espetáculos de sucesso para Gal Costa, editor de Torquato Neto, íntimo de Hélio Oiticica, colega de escola de Gilberto Gil e participante, com Tom Zé, de espetáculos de Centros Populares de Cultura na Bahia dos anos 60.

Waly já chegou a dizer que não se incluía, que não se sentia parte do tropicalismo. Sua aproximação com Gilberto Gil e Tom Zé se deu na movimentação estética e política na Bahia dos anos 60, com peças de protesto levadas às nascentes favelas de Salvador, palestras na faculdade de Medicina sobre o marxismo, um centro de estudos sobre o filósofo Antônio Gramsci.20171101152902594130u  “Éramos uma esquerda marxista-existencialista, porque líamos Marx, Camus, Sartre e Merleau Ponty, quer dizer, essa encruzilhada de paradoxos”, disse Waly Salomão à pesquisadora Heloísa Buarque de Holanda, em 2003, numa entrevista publicada originalmente no Jornal do Brasil e reproduzida, na Internet, pelo Jornal de Poesia.

Foi nessa entrevista que ele tirou do armário sua relação com Kierkegaard, um alívio para o artista nos tempos cinzentos do golpe militar: “em 1964, o corte foi o mais abrupto possível. Mas foi também nessa época que li Tremor e temorde Kiekergaard, genial protestante existencialista que contava de repetidos ângulos a história de Abrahão, incumbido por Deus de matar Isaac. Um livro de perspectiva cinética”, contou Waly Salomão.

Waly não deu muitos detalhes do que encontrou em Kierkegaard. Pode até parecer que foi atraído pela forma literária do filósofo, que, em “Tremor e Temor”, obra cultuadíssima, para melhor exibir seu argumento sobre fé, ética e paixão, varia de pontos de vista ao descrever uma cena bíblica: o velho Abraão, por ordem de Deus, leva o único filho ao sacrifício _ e só não mata a única pessoa no mundo capaz de lhe dar descendentes porque, quando já levantava a mão para descer o facão sobre o filho, Deus lhe envia um anjo com o recado de que tudo era só um teste de fé do Todo-Poderoso. Tipo: “Pô, Abraão, você não sabe que o Velho é dado a umas brincadeiras de mau gosto?” 1200px-sacrifice_of_isaac-caravaggio_28uffizi29

Mas o compositor baiano deixou uma pista de que a influência do filósofo dinamarquês foi maior do que apenas uma receita de estilo. É o disco “Real Grandeza”, em parceria com Jards Macalé,  com letras publicadas no livro Gigolô de Bibelôs, da saudosa editora Brasiliense. As referências a amor, paixão e certas metáforas com tempero religioso nas músicas de Waly Salomão têm um forte sotaque existencialista dinamarquês. É comparar para ver a influência.

Você pode entender Tremor e Temor como uma louvação de Kierkegaard ao que considera a maior de todas as paixões, a religiosa, a fé. O crente é, antes de tudo, um amante, dizia o dinamarquês. O amor de Deus e o amor por Deus expresso pela fé são o que Kierkegaard classifica como amor “sem porquê”, incondicional, diferente daquele amor tradicional que acende ao encontrar, no ser amado, semelhanças, afinidades, um espelho do Eu.

O amor comum seria uma busca de identificação, o velho amor pelo Belo, já falado pelo grego Sócrates, um amor entre iguais. No homem, a maior das paixões seria a fé, um amor assimétrico, acima da ética, dos deveres, das convenções sociais; individual e inexplicável.

nelson-cavaquinhookjpg_610x340“Amor devoção fé absoluta e total”, escreve Waly em “The Beauty and the beast”,  texto de Gigolô de Bibelôs. Em outros textos, convertidos em letras de Real Grandeza (CD póstumo, lançado por Macalé, aliás), a aproximação com a fé tremelicante e atemorizada de Kierkegaard é mais escancarada. O disco, conta Macalé, seguiu a linha da “ Morbeza Romântica” _ neologismo e quase pleonasmo, no mesmo termo morbidez e beleza, temas da essência do romantismo. Explica o músico: “a gente brincava de ser um experimento “lupiscínico” e “nelson cavaquinhesco”: letras à la Lupicinio Rodrigues, onde (sic) coloquei linhas melódicas e harmonias surrealistas, em um violão neurótico a Nelson Cavaquinho. Nasceram músicas soltas, doidas, tortas, com asas de avião: ‘ANJO EXTERMINADO’, ‘SENHOR DOS SÁBADOS’, ‘DONA DE CASTELO’, ‘RUA REAL GRANDEZA’.”

61799a3259a1c79472c671e561bd8b6c31b070a9Lupicínio, autor gaúcho que neste ano que vem fez cento e cinco anos de nascimento (e 45 de morte), é definido por Ricardo Cravo Albin, em seu Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, como “o que melhor destilou os amores desfeitos e as dores-de-cotovelo na história do samba-canção e da boêmia neste país”. Dor-de-cotovelo, expressão cuja criação é atribuída ao próprio Lupicínio, é o que sente o amante abandonado, com os braços dobrados, cravados na mesa de bar, a afogar as mágoas pela perda do ser amado. Mas o ser amoroso de Waly, ainda que inspirado em Lupicínio para falar de dores de amor, não é uma pessoa paralisada por lamentos e pela perda. A Morbeza Romântica não é dor-de-cotovelo.

Em “Volta”, de Lupiscínio, o cotovelo dói assim: “Quantas noites não durmo, /A rolar-me na cama / … Não há nada no mundo/Que possa afastar/ Esse frio do meu peito./Volta,/ Vem viver outra vez ao meu lado,/ Não consigo dormir sem teu braço,/ Pois meu corpo está acostumado…” Ou, em  “Cadeira Vazia”: “Entra, meu amor, fica à vontade /… /Entra, podes entrar, a casa é tua /Já te cansastes de viver na rua E os teus sonhos chegaram ao fim /Eu sofri demais quando partiste/… Voltaste, estás bem, fico contente/ Mas me encontraste muito diferente /…Eu não te darei carinho nem afetoMas pra te abrigar podes ocupar meu teto Pra te alimentar podes comer meu pão.

 

O amante de Lupicínio, em “Volta”, sofre. Seu amor, embora indefinível, evoca imagens carnais, bem físicas: quem se acostumou com a amada foi o corpo; a falta que ele sente é do calor que as cobertas não dão; é o braço, ao lado, que aqueceria o coração do poeta. Em “Cadeira vazia” aquele que recebe de volta a amada a recebe como “filha pródiga”, mas está frio: dá abrigo, mas nega carinho, ou mesmo afeto.4be820c241d08

Essa conversão de amor em frieza ganha tons apaixonados, mas também rancorosos em outras músicas também modelares da poesia “lupicínica”. Em “Vingança”, uma das mais belas composições do poeta, o rancor dá o tom dos sentimentos do ex-amante:  “Eu gostei tanto, tanto quando me contaram Que lhe encontraram chorando e bebendo na mesa de um bar  Eu não quero mais nada / /Só vingança, vingança, vingança aos santos clamar Você há de rolar como as pedras Que rolam na estrada Sem ter nunca um cantinho de seu Pra poder descansar” .

É, o amante de Lupiscinio não era mole.

O casal enlaçado pela “morbeza romântica” de Waly Salomão tem outro tipo de relação amorosa, extraordinariamente contemporânea desses tempos de igualdade de gêneros. Compare-se, por exemplo, o desencantado protagonista da “Cadeira Vazia” de Lupiscínio com o agitado e ansioso amante do “Anjo Exterminado”de Waly:

“Quando você passa três, quatro dias desaparecida/Me queimo num fogo louco de paixão/Ou você faz de mim alto-relevo no seu coração/Ou não vou mais topar ficar deitado/Um moço solitário, poeta benquisto/Até você tornar doente, cansada, acabada/Das curtições otárias…” O poeta sobe e desce escadas, apaga e acende a luz do quarto, fecha/abre janelas sobre a Guanabara e já não pensa “mais em nada”: “meu olhar vara vasculha a madrugada/Anjo exterminado/Olho o relógio iluminado anúncios luminosos/Luzes da cidade, estrelas do céu/Me queimo num fogo louco de paixão”. E, exasperado, blefa, ameaça abandonar a amada: “pois sei que você acaba sempre por tornar ao meu lar/Mesmo porque não tem outro lugar onde parar.”

O poeta sabe que a amada voltará ao lar. Planeja abandoná-la (ou “abandonar-lhe”, curiosa repetição involuntária do incorreto “lhe encontraram” na mesa de bar de Lupicínio), mas espera por ela e sabe que a mulher não tem “outro lugar” onde ficar. O lugar dela é junto do amante que se queima num fogo louco de paixão. Nenhuma referência a pedras da rua, sem abrigo e sem parada, como na arrependida de Lupicínio. Parece não haver do que se arrepender, no apartamento com janelas sobre a Guanabara.

A música “Real Grandeza”, também compartilha, com “Anjo Exterminado” dessa agitação que, como se sabe, era uma característica pessoal do poeta. Ele levava sua tese sobre a teatralização da realidade para a própria vida, e parecia estar permanentemente desempenhando um papel exuberante no teatro do mundo. “Ah vale a pena ser poeta/Escutar você torcer de volta a chave/Na fechadura da porta/Abra volte veja…”

Mais uma vez, o amante espera, ansioso, a volta do ser amado, nesse caso uma “figura leviana” que o “embroma”, e com quem ele pensa cortar relações, mas a quem apela para que volte. Apaixonado, fala dramaticamente em “jatos de sangue” espetacularmente belos. Ao lado das queixas, o que marca a canção é o pedido para que a amada retorne à casa, endereço onde o amante sempre morou, onde ele, não a mulher, está esperando. E Waly comemora o fato de ser poeta.

O também poeta e crítico Antônio Cícero, no livro A Falange de Máscaras de Waly Salomão, conta como o baiano dizia ter transformado o trauma da prisão e da tortura nos anos 60 em material de trabalho: fingiu estar no teatro, assumiu-se como personagem e distribuiu papéis imaginários aos carcereiros. Comemorar o fato de ser poeta, ser capaz de canalizar sua angústia para a criação de uma obra poética é uma manifestação que têm afinidades óbvias com o que é relatado pelo crítico e amigo. “Ele acreditava que simplesmente agindo de uma maneira não-convencional já estaria praticando poesia”, diz Carlos Nader, no documentário de sua autoria “Pan-Cinema Permanente”, sobre horas de conversa com Waly Salomão.

Mas uma das chaves, em Real Grandeza, para ligar Waly a Kierkegaard é “Senhor dos Sábados”, outra canção em que o poeta fala de alguém à espera da pessoa amada no ambiente de um quarto, revoltado pela ausência e aparente abandono, que implora a volta de quem ama.: “Uma Noite/Noites/Noites Em Claro/Noites Em Claro Não Matam Ninguém/Mas É Claro, Perdi A Razão/Gritei Seu Nome Por Toda A Parte/Do Edifício Em Vão…”. O poeta diz ter quebrado vidraças, riscado paredes “com frases roucas de paixão” e rasgado o retrato da amada com os dentes, a alma ardendo. “Volte Cedo/Antes Que Acenda A Luz Do Dia/Apague Meu Desejo Num Beijo/Bem Bom/Meu Bem Volte Cedo Meu Bem Volte Bem Cedo.”

Que amante é esse, que, em casa, se despedaça de paixão esperando pela amada? Waly conta, no livro “Gigolô de Bibelôs”, em um texto intitulado “Mal Secreto da Linha de Morbeza Romântica???”, que, ao escrever a música “Senhor dos Sábados”, identificou-se “com o amor feminino das santas mulheres, especialmente a de “Santa Terezinha suplicante por ser abrasada penetrada pelo amor divino e ser submergida num ardoroso abismo e onde é evidente a analogia entre a linguagem erótica e a linguagem mística”. E segue: “me tornei SERVA DO SENHOR, naquele tempo once upon a time naquele então da linha de da LINHA DE MORBEZA ROMÂNTICA.”

O texto tem mais um parágrafo, final, em três versos: “Hoje: me libertei daquela vida vulgar…/Amanhã: He’ll be big and strong./Assinado: O FAQUIR DA DOR.13

Nas músicas de Real Grandeza, as dicotomias entre o lar e a rua, a casa e a cidade, também parecem trazer referências a metáforas religiosas, das Trevas e da Luz, nas canções “Anjo Exterminado, e Senhos dos Sábados. O poeta apaga acende a luz do quarto, e mira a cidade iluminada, anúncios luminosos, luzes do céu. Em Senhor dos Sábados, de seu ponto de vista, a “escuridão do quarto”, o poeta pede que amada volte antes que acenda a luz do dia.

Mais explícita é a referência do poeta à paixão como algo que arde, queima, como o amor divino que penetra Santa Teresinha e, na descrição de Waly, a abrasa e a submerge num “ardoroso abismo”. Esse fogo divino se espalha pelas letras de Real Grandeza, e descreve também a paixão do homem que, em seu lar, espera o ser amado que se identifica com a luz (ou se antecipa a ela, no “Senhor dos Sábados”. Antes de pedir que o ser amado volte cedo e “apague” seu desejo com um beijo, o poeta conta: “minha alma ardia meu bem…”).

Kierkegaard, quem diria, acabou em Botafogo, bairro do Rio onde fica a rua Real Grandeza que inspirou Waly Salomão. É uma paixão kierkegaardiana que sente o amoroso  personagem dos poemas de Waly. Arde como Santa Teresinha e nada espera da amada, apenas que volte, e o encontre consumido pelo fogo da paixão.

O amante de Real Grandeza (porque é possível, sem exagero, encontrar nas diversas canções descrevem um mesmo amante essencial) até fala em abandonar o ser amado que lhe traz tanta angústia. Em uma das canções esboça a execução desse plano, rompendo com a oposição entre seu lugar, a casa, e o lugar da amada, a rua, saindo ele próprio ao cantar sua despedida. É emVapor Barato, onde o poeta desce “por todas as ruas”, e avisa que vai tomar um navio, para esquecer sua grande imensa obsessão.

Oh sim, eu estou tão cansado, mas não pra dizer/Que eu não acredito mais em você/…Eu vou tomar aquele velho navio/… Eu preciso esquecê-la/A minha grande a minha pequena/A minha imensa obsessão/A minha grande obsessão/Oh minha honey/Baby, baby, baby…

 

Não há recriminações, nem aí, no momento da partida, da escolha. O poeta, que em outros textos aparece forte, disposto a sofrer provações como um “faquir da dor”, está muito cansado, mas não ao ponto de deixar de avisar que perdeu a fé, e quer partir. Essa canção, a mais pessimista do disco, está marcada pelo desencanto de Waly com o país e a vontade de viajar, após ser preso e torturado no presídio do Carandiru, capturado por um flagrante com um cigarro de maconha, segundo relata o parceiro Jards Macalé,. Waly, muito crítico em relação à letra, disse considerá-la “subliterata”.

O poeta, nesse conjunto de obras alinhavadas pela “linha de morbeza romântica”, mostra sua concepção original e pós-moderna da relação amorosa, em que inverte os papéis desempenhados pelo homem e pela mulher _ ele vinculando-se ao ambiente doméstico e ela, à alegria, consentida pelo parceiro, do mundo, fora do lar. O amor é redefinido para além das convenções da poesia romântica.

Não é um amor que reivindica a posse do ser amado, mas um amor incondicional, similar à fé religiosa. É capaz de sofrer abalos e dúvidas, mas em nenhum momento questiona o direito do ser amado de agir como age. Estamos no terreno da paixão, mas da paixão da “morbeza romântica”, em que o amado se vincula à Luz do divino, que resgata o amante das Trevas da solidão e do desejo.  O homem de Real Grandeza não idealiza a amante, mas a adora poeticamente. Waly Salomão, de braços dados com Kierkegaard, nos ensina que se pode amar assim uma mulher, como poucos devem ter feito na música popular brasileira..jards2bmacale2breal2bgrandeza2b-2bcapa

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Em tempo de loucos, meu Machado favorito

Já devo ter publicado aqui, mas nesses tempos em que os cargos na administração pública parecem ser preenchidos por gente beneficiada pelo movimento anti-manicomial, o livro/conto do Machado anda atual como nunca...:

cildo-meireles-zero-cruzeiro-offset-litogravura-sobre-papel-6708O alienista é muito mais que a história das peripécias e frustrações de um médico ao testar teorias sobre a loucura nos habitantes de uma cidadezinha. É exemplar até sob o ponto de vista da teoria literária, exemplo clássico de como é problemático definir o gênero “conto”. Há quem o chame de novela, classificação dos franceses para textos assim, com mais de vinte páginas. E isso nos obriga a, machadianamente, interromper essa resenha para uma pequena digressão sobre a natureza do conto.
Tão clichê quanto citar O alienista como modelo de conto-que-pode-ser-novela-e-vice-versa é lembrar, nessa hora, a ideia de que o conto é o texto que vence o leitor por nocaute, diferente do romance, vencedor por pontos. Julio Cortázar, considerado o autor da definição, lançada numa palestra em Cuba, por volta de 1970, atribuiu a frase a um anônimo “escritor argentino, muito amigo do boxe”.

Essa analogia violenta só vale mesmo para quem entende a leitura como um “combate” entre o texto e o leitor. O próprio Cortázar admite ver, no contista, “um boxeador muy astuto”, que administra cada golpe pensando no efeito derradeiro; mas, para ele, o que faz do conto um conto não é nenhuma pancadaria textual. Não é um embate, é a noção de “limite”, de “economia de meios”, de “corrida contra o relógio”.

Definição por definição, a do Ricardo Piglia, também clichê nesse debate, é mais rica: todo conto apresenta uma história enquanto desenvolve outra, escondida. Piglia, com essa definição, indicou, para mim, algo essencial: paralelamente ao relato aparente do conto, que se concentra em um incidente, um personagem ou um horizonte particular, há, obrigatoriamente, um comentário, uma narrativa, uma descrição que torna mais clara ou saborosa a história principal e amplia ou sofistica nossa visão de mundo.

machado2b132bby2bsergio2bleoNão é um enigma a ser desvendado, mas uma “verdade secreta sob a superfície oculta da vida”. Mal comparando, a breve melodia do conto se faz acompanhar, sempre, de uma harmonia que a sustenta e lhe dá sentido.

Ou seja, a luta do contista não é para derrubar o leitor, mas para envolvê-lo rapidamente e completamente em sua dança. Outro teórico, menos citado nesse ringue, o Merleau-Ponty, compara o jogo entre texto e leitor ao fósforo aceso que, magicamente, incendeia a madeira. No conto, digo eu, não há incêndio romanesco, com focos aqui e ali, mas uma fogueira controlada que queima, juntos, contista e leitor.

Antes que a leitora se enfade e nos troque por algum link mais atraente, passemos, então, ao nosso alienista. Em um tweet, o enredo se resumiria assim: estudioso da loucura tranca quase toda a cidade no hospício, mas solta todo mundo e tranca a si mesmo ao concluir que louco, mesmo, é ele.

Um tweet é pouco para o conto de Machado, como se vê.

O narrador, na terceira pessoa, quase descritivo, com adjetivos elogiosos carregados de intenções irônicas, apresenta as descobertas contraditórias de Simão Bacamarte, o sábio psiquiatra. Enquanto relata as desventuras científicas do estudioso que descobre ser a loucura o estado normal dos indivíduos e os normais os verdadeiros loucos, Machado implode as pretensões de encontrar uma receita racional e definitiva para as ações humanas. Argumentos razoáveis levam a consequências absurdas – mais ou menos como o neoliberalismo desenfreado, baseado nas expectativas racionais da década de 90, gerou, há alguns anos, a pior crise econômica já enfrentada pelo capitalismo.

O tom farsesco não vem só do esforço para separar demência e normalidade; está ligado à própria confiança na racionalidade humana. Já no início, o casamento de Bacamarte com uma viúva “nem bonita, nem simpática” se justifica por sua “constituição anatômica e fisiológica robusta”, garantia de filhos fortes e saudáveis (que não vieram). O conto do alienista tem, no limite, como história meio oculta, a aventura paralela do próprio Bacamarte ligada ao fracasso da razão.

Na história aparente, o protagonista é o cientista que age em Itaguaí e mobiliza as ferramentas do poder social e político para executar seu experimento, afinal frustrado. Há quem veja nesse conto de Machado uma antecipação da crítica do filósofo Michel Foucault à relação entre o saber e o poder e suas instituições controladoras. Na história paralela do alienista, Bacamarte está só, com a pureza de sua fé na ciência; e só ao fim do conto ele vê – e nos conta – a grandeza de sua solidão.

Como todo clássico, O alienista é cheio de facetas, que se atualizam com a leitura. Ele mostra, por exemplo, como são férteis as teorias conspiratórias do populacho desinformado, quando não há acesso aos mecanismos do poder. Quando Bacamarte começa a trancar seus “loucos”, movido por legítimos propósitos científicos (ou não?), a população desconfia dele, e imagina motivações mesquinhas, sejam ciúmes, vingança ou cobiça. Houvesse Facebook naquela época, provavelmente seria o veículo para o falatório dos personagens incapazes de compreender a lógica dos poderosos.

Fico por aqui sem esgotar a riqueza do conto machadiano, que, além de tudo, é divertidíssimo, e me permite também comentar uma personagem real que mereceria a atenção de Simão Bacamarte. Chama-se Patrícia Secco, dona de um projeto para atrair leitores jovens simplificando autores como… Machado de Assis, em obras como… O alienista. São tantas as deturpações que ela fez na história (não somente no texto), que o livro editado com financiamento público e distribuído por ela com o título “O Alienista” deveria ser lido pelo Procon.

Para não alongar a resenha, dou o link de um obstinado que comparou os dois textos, palavra a palavra e encontrou barbaridades. Infelizmente, o relato dessa investigação começa com um arrazoado reacionário, meio olavista mesmo, que mostra total desconhecimento do autor sobre a pedagogia de Paulo Freire. Mas o final é um verdadeiro nocaute. Pulem diretamente para a parte com o subtítulo Machado para consumo próprio: aqui.

O alienista foi publicado no livro Papéis Avulsos, de 1882, época em que os árabes, de quem herdamos os numerais, a astronomia e muita medicina, eram, inclusive no Corão, modelo do espírito científico – e assim foram vistos por Machado de Assis. É um conto perfeito, que sempre desperta em mim a santa e nobre inveja dos admiradores.

(Esse texto foi publicado originalmente no site Homus Literatus, AQUI. E reproduzido, sem os links, pelo Sesc,  AQUI.

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O dia em que me ombreei com Luiz Ruffato.

 

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Na condição de participantes da mesma entrevista, apenas. AQUI.

Quando penso quais escritores contemporâneos sobreviverão ao teste do tempo, o nome desse cara é um dos primeiros que me vêm à mente.

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Um Tarzan para chamar de meu

Faz um ano e meio, participei com gosto dessa coletânea, chamado pelos queridos Henrique Rodrigues e Marcelo Moutinho, com craques como Aldir Blanc e Nei Lopes, amiga/os escritores e muita gente boa.

Agora, meu conto, que transpõe para o mundo de hoje o personagem-título da música “Tarzan, o filho do alfaiate”, do Noel, voou das páginas e foi para a revista eletrônica Gueto, pelas mãos do Ricardo Novaes de Almeida e da Christiane Angelotti.

Pode ser lido, na íntegra, AQUI.

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