Damien Hirst no Brasil

Para vocês, que pousaram ontem neste cometa, apresento: Damien Hirst não foi apenas jovem; foi um jovem artista britânico. Dos que deram reputação à mostra Sensation e a seu promotor, o financista Charles Saatchi, nos idos 80. Seu mau gosto era patente já quando novinho, como mostra a foto famosa de estudante, ao lado de uma cabeça decapitada.  Foi o mais famoso dos lançados por Saatchi, é o mais biliardário dos artistas contemporâneos, e progrediu bastante de cabeça morta, como se vê no vídeo abaixo.

A montagem dessa belezinha acima você vê aqui. Há quem diga que a corrida para ver, ou melhor, ter a caveira de Damien Hirst, afinal vendida por pouco mais de 60 milhões de euros, foi o deboche simbólico que marcou a chegada da crise ao mercado da arte contemporânea.

Mas ele, nem aí. Afinal, o homem que criou um ícone da história da arte, o tubarão flutuando em formol, esnobou galerias e vendeu, ele próprio,seus bichos em conserva e outras bizarrices hipster a generosos compradores, um ano depois de livrar-se da caveira, no auge do colapso do mercado financeiro. Bateu recordes de arrecadação.

Pisando na herança blasé da arte pop, Hirst botou seu batalhão de ajudantes para pintar bolinhas. Muitas bolinhas. Tantas, que conseguiu com elas ocupar as 11 filiais da Gagosian, a galeria multinacional nascida em Los Angeles e espalhada pelo mundo. Algumas dessas bolinhas já geraram até debates dignos de obras clássicas da história da arte, ainda que meio extravagantes.

É um artista, que leva ao extremo a ironia de Andy Wahrol com o mundo da arte. Ao extremo do kitsch, do exagero pomposo. Tornou-se uma de espécie de Romero Brito que deu muito mais certo, encantando gente com dinheiro sobrando ao vender caro obras coloridas que alguém famoso também já comprou e combinam  maravilhas com o sofá do loft. Há quem adore.

Em Londres, para os críticos de arte, virou uma espécie de Chiquinho Scarpa, aquele milionário de quem todos falam e você não consegue entender por quê. Os mais educados o descrevem como um enfant terrible que perdeu o gás. Um crítico classifica suas obras como “imposturas, sem talento como o diabo” e até chega a comparar pinturas recentes às pinturas amadoras de Muamar Kadafi. Um caça-níqueis falido de ideias, diz outro.

Damien Hirst

Bom, se fossem só os críticos britânicos, essa raça arrogante, Hirst não faria nem beicinho. Mas ultimamente os negócios dele não andam lá muito bem. E, como um velho roqueiro, veio conferir seu eleitorado fiel cá no Brasil. Pela primeira vez.

Quem sabe, se gostar, vem com o Paul McCartney na próxima turnê. Se for a Sampa, passo na mostra; vi na Internet e achei bacaninhas os trabalhos.

(clique na imagem acima, para ver os detalhes).

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Sobre sergioleo

Escritor, Jornalista, artista plástico
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