O spin doctor e a política externa dos EUA

Ao lado de Obama, um brilhante aspirante a escritor ajudou a criar a “narrativa” de sua política externa, aproveitando-se de uma rede de contatos na imprensa e da crise da midia que rebaixou redações e tornou os órgãos de comunicação mais dependentes das fontes. O spin doctor aproveitou-se também de uma interessante característica do próprio Obama, sua experiência quando criança na Indonésia, onde pôde ver as _ más _ consequências das políticas dos países desenvolvidos sobre o mundo em desenvolvimento.

Essa história, e o relato de como Obama e seu assessor venderam à sociedade americana o acordo com o Irã _ peça importante da estratégia de Obama voltada ao recuo da presença dos EUA no Oriente Médio _ está num texto que tem tudo para tornar-se clássico na bibliografia sobre EUA, política externa, governo e comunicação. É uma reportagem da New York Times Magazine, um tanto benevolente com o personagem principal, o tal assessor, Ben Rhodes, sujeito de mente ágil, ego inflado, tremendo desprezo pelo establishment de política externa dos EUA (desprezo compartilhado por Obama, que rejeita o modelo tradicional de intervencionismo americano)  e enorme proximidade com o presidente dos Estados Unidos.  A matéria está AQUI.

A reportagem gerou reações iradas dos jornalistas de Washington, que saem bem mal pintados na foto. Reações divertidas, para quem as lê, de fora, e ajudam a apontar alguns exageros e defeitos da reportagem do Times, sem comprometer a veracidade do excelente material, que expõe um bastidor antes apenas imaginado, com uma franqueza impressionante.

No Washington Post, a bronca foi essa AQUI.

E na Foreign Affairs, a irritação foi tamanha que trocaram a qualificação do Times para Rhodes como guru de Obama nos assuntos internacionais, de “Aspiring Novelist” para “Asshole”. Bile pura. AQUI.

Ah, e o Post aproveitou para dizer que, com suas declarações, o assessor acabou contando que Obama enganou o povo em relação às longas negociações com o Irã, para plantar a versão mais palatável de que ela só ocorreu para aproveitar a chegada de um grupo de líderes iranianos mais moderados a postos-chave do país. O próprio Obama não acreditaria nisso de moderação e pretendia fazer acordo com o Irã mesmo antes das mudanças políticas por lá, por considerá-lo essencial ao descolamento de sua aliança disfuncional com a ditadura saudita. (Isso de ditadura é acréscimo meu. Nenhum dos textos chama a monarquia saudita de ditadura, como é de fato, assim como a imprensa brasileira também não chama. Afinal, ditaduras só são as que servem de referência a alguma esquerda, não é mesmo?)

Anúncios

Sobre sergioleo

Escritor, Jornalista, artista plástico
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s