Eu e Paulo Francis, uma história breve

Paulo Francis, capa da Ilustrada de sábado; também tenho minha historinha com ele.
Mandado pelo Josias de Souza a Nova Iorque, na primeira viagem do Collor aos EUA, seriamos eu e o Francis a fazer a cobertura da Folha de S. Paulo. Liguei para ele esperando ouvir ao telefone aquela dicção caricata da TV e me atendeu um carioca simpático, com voz absolutamente normal. Quase peço para que chamasse o verdadeiro Paulo Francis.
No dia seguinte, vejo, no café do Plaza Hotel, que ele estava em uma mesa com outros jornaistas; ele se levanta e vem até mim, aquele neófito de 28 anos, para explicar: “olha, o Collor chamou alguns jornalistas para um papo, eu estou entre eles, mas na saída te conto tudo e v. vê o que quer aproveitar no seu texto”.
Aproveitei quase nada no relato com minha apuração do dia da comitiva, e no dia seguinte, minha matéria estava no alto da página, acima da dele, não por ter mais qualidade, mas por lidar com o factual. Historinha boba, como se vê, mas minha constatação in loco de como o Francis podia ser um modesto, acolhedor e gentil companheiro de cobertura.
No mais divertido, ele não participou: a primeira manhã de domingo, com toda a imprensa na porta do Plaza à espera do Collor que, à frente do Central Park, com certeza aproveitaria a locação para um jogging marqueteiro. Um sujeito de roupa caqui, meio debochado, muito à vontade, que me pareceu um desses radialistas que aparecem do nada, de rádios obscuras, em toda cobertura internacional, fazia piadas. Cara simpaticão, que, depois descobri não ser radialista e se chamar Élio Gaspari.rc-theres-an-awful-lot-of-collor-in-brazil-1
Sai Collor. Atrás dele os fotógrafos (e eu, que me recuperava de uma hepatite), todos em cima de bicicletas alugadas ali no Central Park; e os cinegrafistas, cuja equipe não permitia ir de bicicleta (na época iam acompanhados de uma equipe de dois, o operador de vt e o iluminador) saíram logo atrás, em charretes alugadas dos serviços de turistas do parque, e, atrás deles, vários repórteres correndo com as pernas que a natureza lhes deu.
Ao ver sair aquele circo, uma senhora, na porta do Plaza só conseguiu exclamar, espantada: “what is that? Who is he???”
O Lucas Mendes gritou, salvando a pátria:
“He is the President…of Argentina!”

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Sobre sergioleo

Escritor, Jornalista, artista plástico
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