Adeus, Todorov. A literatura continua em risco.

Morre Todorov, grande teórico do estruturalismo que, em 2007, levantou poeira criticando a hegemonia … dos estruturalistas no ensino (e crítica) de literatura, metendo o malho no que ele chamou de “umbiguismo solipsista”, uma espécie de ode ao individualismo do Autor que levou a um formalismo excessivo e a um ensino dedicado a decompor a estrutura dos textos, deixando de lado, como tabu, a análise dos temas tratados pelos escritores.

A ECO-UFRJ me fez cria do estruturalismo, e gosto dessa busca dos andaimes da literatura, mas sempre me intrigou uma característica comum nos muitos saraus e feiras literárias: até autores que defendem a ênfase no exclusivamente literário, o texto em si, e minimizam a importância dos temas nas obras dos escritores, deixam de lado, nas palestras, qualquer debate sobre a técnica e as características estruturais dos textos para falar… das historinhas trazidas pelos livros, e das anedotas sobre o trabalho de escrita das obras.

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Incluo aí os pós-estruturalistas ou que nome seja dado ao pessoal que defende “desconstruir” os textos, atacando os mecanismos que tornam a escrita e a leitura uma ação condicionada por automatismos impostos pela cultura. Ou tentando ser mais claro sobre algo que pouca gente entende direito até hoje: a turma que vê em todo texto uma violência ideológica, a ser devidamente mastigada e cuspida em pedacinhos pelo crítico/autor, esses, também, quando sobem no palco, falam é da historinha do livro, na maior parte das vezes.
Todorov, num livro pelo qual tenho o maior carinho “A Literatura em Perigo”, publicado aqui pela Difel em 2009, tradução de Caio Moreira, fala com erudição espantosa e leve sobre como a literatura tem, sim, muito a ver com os temas de que ela trata e a vida de seus autores; e defende que qualquer esforço para entendê-la tem de tratar também desses aspectos. (De lambugem, pode-se dizer que qualquer esforço de fazer literatura deve evitar a tentação do formalismo niilista. O livro termina com uma deliciosa troca de cartas entre Georges Sand e Flaubert, com uma torcida evidente para a visão de mundo da primeira).Recomendo esse livrinho do falecido, de menos de 100 páginas, que trago em PDF aqui NESTE LINK pra vocês.
E AQUI, o ótimo necrológio do finado, pelo NY Times.
De nada, tamos aí pra isso mesmo.

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Sobre sergioleo

Escritor, Jornalista, artista plástico
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