Senta, que ele chegou. O sommelier de caderno literário.

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Bela, muito bela, a idéia do Maurício Meirelles, na Folha, de ir ao subúrbio para mostrar como sobrevive o Rio de Lima Barreto. E de começar o artigo com um saborosíssimo lead literário. Uma delícia. Tem um ou outro parágrafo que mereceria ficar mais tempo no decanter para respirar, mas, no geral, o retrogosto é suave, com tons cítricos e agradável persistência no palato. A foto é mais bem aproveitada que nO Globo, que reproduziu a mesma imagem de Lima, único negro na formatura da Politécnica, único olhando tudo de lado, como nota a legenda da Folha. Já a crítica do Antônio Risério que acompanha a matéria é meio amarga, tem notas de implicância com o bom mocismo politicamente correto da Lilia Schwarcz na biografia do Lima, e parece mais apropriada ao gosto dos tradicionalistas com apetite por crítica literária aderente à estrutura dos textos, sem muitas concessões gustativas ao contexto socio-antropológico dos autores.
O Leo Cazes, nO Globo, vai mais no estilo merlot, um bouquet familiar e um surpreendente toque de angústia, sobre a relação entre Lima e o “racismo científico”da época. De estalar a língua. O resultado final é de sabor redondo e bem encorpado, com textura complexa e muito densa.
No Estadão, a melhor foto da Lilia, não só porque ela está bem bonitinha na imagem, mas pela galeria de obras em papel atrás, que adorei. O Ubiratan Brasil optou pelo convencionalismo de um cabernet sauvignon, correto, com elogios à historiadora, uma descrição do livro que desperta curiosidade e uma entrevista convencional mas com evolações de grande espírito, que acabam trazendo ao paladar sabores não explorados nas outras matérias, como detalhes de certas facetas “do contra” de Lima Barreto, explicações sobre sua rivalidade com Machado de Assis e o fato de jogar no meu time, o dos que detestam futebol.
Enfim, recomendo a degustação dos três, que harmonizam muito bem com esse sabadão preguiçoso de sol e frio.
Aqui, a da Folha.

Aqui,  dO Globo.

Aqui, do Estadão.

E viva a Joselia Aguiar, que meteu o Lima na Flip e certamente inspirou essa profusão inebriante de notícias recentes sobre o sujeito.

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Sobre sergioleo

Escritor, Jornalista, artista plástico
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