Da série: a última do português I

possuir
Possuir, em lugar de ter. Utilizar em vez de usar. Essa mania viciosa de abandonar as palavras simples para aparentar sofisticação virou praga na academia e na imprensa, e é um dos alvos do trabalho inclemente da Sergio Leo Foundation, a principal organização mundial em defesa do leitor.

Agora, por exemplo, nosso CEO*, Oliveira, o canalha da redação, acaba de se deparar com um texto (certamente de denúncia) onde empresas de um determinado setor “possuem clientes”.

“Vamos investigar se é um caso de abuso sexual”, avisa Oliveira, enquanto tira o terno do encosto da cadeira e checa com nosso departamento de transportes para ver se o Uber não aderiu à greve geral.

 

 

*(O amigo Nélson Franco Jobim implica com o cargo de Oliveira que, defende ele, por coerência com a missão de nossa ONG, deveria ser “diretor-geral”, “diretor-executivo”ou algo do gênero grafado na língua de Machado, Eça e Paulo Coelho. Tem suas razões, ele. Mas motivos de planejamento tributário e arrecadação de fundos nos obrigam a manter um organograma em inglês e uma sede em Washington, onde esperamos, um dia, comover algum alto funcionário do Banco Interamericano de Desenvolvimento com poder de liberar uma linha de financiamento para nosso trabalho humanitário-semiológico).

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Sobre sergioleo

Escritor, Jornalista, artista plástico
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